Fazer campanha não é como vender sabonete

Em entrevista à revista Época, em setembro, Peter Giangreco discordou da tese de que fazer campanha política é como vender sabonete. Um dos estrategistas que participaram da eleição de Barack Obama, ele diz que é preciso ter uma certa dose de paixão. Por isso ele só trabalha com democratas – nos EUA, ressalta, é pouco comum os consultores trabalharem para mais de um partido. “Eu acredito que você escolhe um lado e luta por ele”, define.

Sócio do escritório The Strategy Group, Giangreco coordenou a campanha de Obama por mala direta (mailing e correios). Ele diz que a maior mudança trazida pela internet no universo político foi a possibilidade de mobilizar as pesoas, mudar opiniões e arrecadar recursos em tempo real. “Tentar atingir as pessoas onde elas estiverem” pode ser considerado um lema para as campanhas. E a televisão, hoje com 5 mil canais nos Estados Unidos, deixou de ser o único meio – até porque as pessoas pulam os comerciais.

Giangreco faz uma comparação inusitada. Lembra-se da campanha entre Thomas Jefferson e John Adams, em 1800. Um adepto de Jefferson inventou que Adams tinha morrido. O candidato teve de espalhar anúncios pela cidade para mostrar que estava vivo. “Agora não temos cartazes espalhados na cidade, mas temos blogs”, diz o estrategista. “O formato é diferente, mas a essência é a mesma”.

Enviar um folheto por email não é algo tão simples como parece. A estratégia dos democratas previa análise do histórico de votações, informações detalhadas sobre os eleitores – seus estilos de vida, se eram ou não veteranos de guerra, até mesmo se tinham licença de caça ou pesca. Os dados formaram uma base que permitiu o desenvolvimento de mensagens específicas para cada grupo.

Giangreco fará a palestra de encerramento do seminário “Efeito Obama”, em São Paulo, no dia 16. O 1º Seminário de Estratégia de Comunicação e Marketing, iniciativa da George Washington University, será realizado nos dias 15 e 16 no hotel Renaissance, dirigido a um público em boa parte formado por líderes de partidos – além de cientistas políticos e especialistas em comunicação, entre outros.

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