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O mapa do eleitor americano, segundo os democratas

17/10/2009

Religioso? Republicano. Sindicalizado? Democrata. Costuma caçar? Republicano. Solteira? Democrata. Essas são algumas das tendências do eleitorado americano, segundo Peter Giangreco – um dos quatro estrategistas da campanha de Barack Obama que participaram do 1º Seminário de Estratégia de Comunicação e Marketing, em São Paulo.

Goodstein encerrou o evento, sobre o “efeito Obama” nas eleições pelo mundo, falando da estratégia de microtargeting na campanha do democrata. O microtargeting reúne informação altamente qualificada sobre o eleitorado. Com base em uma imensa base de dados, construída gradualmente, a equipe de Obama fazia intervenções mais precisas nas residências.

Por meio do recurso “porta em porta”, os voluntários batiam na casa de eleitores em seus bairros, após um mapeamento inicial feito pela equipe de campanha. O morador da casa era um idoso, com posse de armas e muito religioso? Então nem adiantava tocar a campainha ou enviar uma mala direta – provavelmente era um republicano empedernido e irrevogável.

Pelo contrário, se fosse uma mulher solteira ou viúva, de origem latina, ligada a algum sindicato, e ainda não estava cadastrada na campanha de Obama, aí valia tentar mais um voto. Isso não era feito por um militante qualquer a cair de pára-quedas na vizinhança, mas alguém do bairro, capaz de estabelecer uma conexão mais pessoal com o eleitor.

Todas essas informações sobre os cidadãos americanos foram obtidas de diversas formas. Por exemplo, dados das operadoras de cartão de crédito diziam se aquele morador tinha ou não comprado uma revista de caça – um provável republicano. “Cada vez que um americano passa o cartão sabe que está passando alguns dados”, explica Goodstein.

A definição detalhada do mapa eleitoral de uma região permitia à equipe de campanha focar onde se achava que podia ganhar. Dessa forma, os democratas conseguiram ganhar em estados como Carolina do Norte (mobilizando jovens, negros, mulheres solteiras), Lousiana e Indiana – onde não venciam desde Lyndon Johnson, em 1964. “Porque Barack Obama inspirou novas pessoas no eleitorado”, diz o estrategista.

Ele mostra que não se deve confundir mapeamento geográfico com microtargeting. O mapeamento geográfico pode ser obtido por uma pesquisa eleitoral – que mostra, por exemplo, que os eleitores da Vila Maria, em São Paulo, são conservadores. Mas quais são as casas dos conservadores e as dos demais? O microtargeting aumenta as chances de se encontrar um indeciso, a partir do perfil pessoal e dos hábitos de consumo.

Em Ohio, a campanha produziu uma revista chamada “Obama”, no estilo da antiga Life. O alvo eram os eleitores idosos. Na capa da revista estavam os pais de Obama. Ele, veterano do Exército. Assim, a campanha mexia com a nostalgia da Segunda Guerra Mundial, para tocar o coração dos eleitores – mostrando que Obama era alguém próximo deles.

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Mais poder político nas mãos do internauta

12/10/2009

Se pegarmos um histórico das campanhas políticas brasileiras na televisão, não será difícil encontrar um caso de acusação contra um candidato baseado em resgate de algo que ele disse – ou até não disse. Certas frases infelizes (como “estupra, mas não mata”) podem marcar a carreira de um candidato e são utilizadas pelos seus adversários após um trabalho de pesquisa. Nem sempre a fala comprometedora foi dita em um ambiente como o Congresso, ou numa entrevista à televisão.

Com a internet, o eleitor ganha também um poder de atacar e defender cada candidato, a partir do que este tenha dito. Com o YouTube, por exemplo, a evidência pode ser apresentada por um internauta anônimo – sem passar pelo crivo de marqueteiros ou cúpulas de campanha. A editora-chefe do The Huffington Post, Arianna Huffington, citou uma vez um caso envolvendo o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos,  John McCain.

A campanha de McCain dizia que a governadora Sarah Palin se opunha a uma certa “ponte para lugar nenhum” no Alaska. Os internautas democratas, segundo ela, moveram uma campanha “obsessiva” para provar que isso não era verdade – a ponto de a campanha de McCain parar de negar o fato. “Em 2004, eles continuariam repetindo isso, pois o eco não teria sido tão evidente”, disse há um ano a editora, num seminário sobre o papel da web em São Francisco.

No Brasil, o que aconteceria hoje? Estamos mais perto da realidade de 2008 nos Estados Unidos ou da realidade de 2004?

A tese de empoderamento do eleitor é defendida por Jason Ralston, um dos quatro estrategistas da campanha de Obama que estarão em seminário da George Washington University, em São Paulo, na quinta-feira e na sexta-feira. Ele diz que esse poder ocorre na medida em que os eleitores se engajam num processo de diálogo. Tornam-se menos passivos e uma parte importante da campanha.

Políticos de todo o Brasil vão participar do 1º. Seminário de Estratégia de Comunicação e Marketing, no hotel Renaissance.

As ideias do coordenador de campanha de Obama

06/10/2009

Jason RalstonFazer uma campanha política utilizando apenas a internet seria como construir uma casa usando somente uma chave-de-fenda. Em outras palavras: a internet é uma ferramenta. Essa é uma das ideias centrais de Jason Ralston, o responsável pela criação da publicidade da campanha presidencial de Barack Obama.

Ralston será uma das atrações do 1º Seminário de Estratégia de Comunicação e Marketing, dias 15 e 16, em São Paulo. A iniciativa é da George Washington University, com vários parceiros brasileiros.

A campanha de Obama foi marcada pela palavra “change” – mudança. Ralston considera que os americanos procuravam algo diferente e que o conceito foi fundamental para mostrar a eles um novo rumo.

O estrategista mostrará no dia 15, com detalhes, como foram elaboradas as mensagens do caso Obama. Boa parte delas orbitando em torno da ideia de mudança.

Dois mundos passam a coexistir, na visão de Ralston. Os candidatos, diz ele, ainda precisam se comunicar pelos meios tradicionais de comunicação, como a televisão. Mas precisam também utilizar as novas tecnologias.

Por meio delas, os eleitores ganham um poder, na medida em que se engajam num processo de diálogo. Eles se tornam menos passivos e muito mais uma parte importante da campanha. Esta se torna uma espécie de movimento, com uma causa a ser abraçada.

A internet mudará as eleições no Brasil, garante o especialista. Mas isso não acontecerá de uma noite para outra.